Wednesday, July 3, 2019

DE S PAULO NOTÍCIAS DE MARIA ARCHER - a FAMÍLIA DE BONNEVAL

De: Data: 3 de Julho de 2012 02:51 Assunto: Dona Maria Archer Para: mariamanuelaaguiar@gmail.com Prezada senhora Boa noite, meu nome é Blanche de Bonneval e quero lhe falar um pouco de Maria Archer no Brasil. Minha irmã mais velha e eu éramos garotinhas (nascidas respectivamente em 1948 e 1949) quando a minha família, que era muito tradicional, pediu a Maria Archer de ser a nossa preceptora no Brasil nos anos 50/começos dos anos 60 se não me engano, pois queria que fossemos educadas em casa. Dona Maria, como nos a chamávamos, veio morar connosco e se esforçou muito em nos dar uma boa educação. Ela era considerada em casa como uma pessoa cultíssima, alegre e original que foi muito apreciada por todos. Lembro-me por exemplo como ela me incentivou quando comecei a escrever poesias algumas das quais chegaram a ser publicadas graças a seu empenho.Também me recordo com certa emoção e divertimento o seu hábito de pintar suas roupas, bolsas e sapatos e de nos acordar de manhã abrindo a janela cantando canções portuguesas cujos refrões ainda lembro. Ela ficou connosco alguns anos até que a família do meu pai conversou com minha mãe e em 1965 fomos autorizadas finalmente a irmos para o colégio. Mas mesmo assim, como tínhamos muita amizade com Dona Maria, ficamos em contato com ela até ela voltar para Portugal. Creio que devo muito a ela. Ela sempre nos contava histórias africanas e nos falava da magia dos lugares onde vivera como Angola e Moçambique, pois foi sempre destes dois lugares que ela falava mais. Comecei a ficar curiosa e a querer ir conhecer a Africa, ou pelo menos esses dois países dos quais ela falava com tamanha emoção. Acabei saindo do Brasil em 1976 para ir estudar na França onde fiz mestrado e doutoramento. Em 1982 - ano da morte de Maria Archer - (soube agora por um artigo que achei no computador por acaso que ela veio a óbito neste ano) comecei a trabalhar no sistema das Nações Unidas - mais especificamente no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - o PNUD - . O meu primeiro primeiro posto foi Angola, que nesta altura estava em plena guerra civil e para onde ninguém queria ir. Lembrando sempre do que Maria Archer me falara daquele país, aceitei o desafio e lá vivi uma experiência de vida maravilhosa. Depois de algum tempo de estadia, pedi aos meus amigos angolanos se lembravam de Maria Archer e responderam positivamente. Falaram-me dela com carinho e me levaram até na casa onde ela havia morado, localizada perto do hospital de Luanda. Mais tarde em 1992 o PNUD me propos ir para Moçambique que também aceitei pelas mesmas razões e foi novamente um posto do qual gostei demais. Só que lá não achei rastros de Dona Maria. As pessoas lembravam do seu nome mas não sabiam onde vivera no país. E só é agora que descubro no mesmo artigo que ela viveu na Ilha de Moçambique e no Ibo e não na atual Maputo como eu acreditava. Foi graças a influência da minha preceptora que trabalhei em Angola e Moçambique, mas também em Madagascar e no Chade, o que representou um aprendizado extraordinário que durou 16 anos no total. Depois disso, fui enviada para Asia Central onde trabalhei até minha aposentadoria. Bem, é só isso de que queria lhe falar, disso e das minhas profundas gratidão e admiração por esta mulher pelo que ela foi assim como pela influência que teve na minha vida. Atenciosamente. Blanche Cara Doutora Blanche: Foi com imensa satisfação que recebi o email, que acabo de ler. Vou dar essa informação, de imediato, a investigadores e a familiares de Maria Archer. Eu sou uma admiradora da sua obra e da sua personalidade. e, nos últimos meses, consegui reunir mais de uma vintena dos seus livros em alfarrabistas, (apenas dois romances foram recentemente reeditados). Considero-a uma grande escritora, perfeita retratista da mulher portuguesa do seu tempo! Uma associação a que pertenço (Mulher Migrante - Associação de Estudo, Cooperação e Solidariedade) organizou já várias sessões de homenagem a Maria Archer, a última das quais no Teatro da Trindade em Lisboa, com a presença do antigo Presidente da República Dr Mário Soares. Em breve será editada uma acta dessa sessão, que poderei enviar-lhe, com todo o gosto. Há uma tese de mestrado sobre Maria Archer em Portugal e uma outra de doutoramento no Brasil (da Profª Elisabete Battista, que apresentou a sua tese na USP). Espero que outras se sigam no futuro. A vida de Maria Archer em Portugal está bem documentada e há ainda muitos amigos e familiares que privaram com ela, mas o período em que residiu no Brasil é praticamente desconhecido, para além dos escritos que deixou. Por isso, o testemunho que nos dá, e outros que possa acrescentar, são verdadeiramente preciosos! Como eu gostaria de ter conhecido Maria Archer... Com muito apreço, as saudações da Maria Manuela Aguiar No dia 7 de Julho de 2012 00:27, Maria Manuela Aguiar ;mariamanuelaaguiar@gmail.com> escreveu: ---------- Mensagem encaminhada ---------- De:

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